Classe camponesa: modo de ser, de viver e de produzir

sexta-feira 26 de fevereiro de 2016 por LRAN

A diversidade camponesa e o seu modo de ser, de viver e produzir, Elementos
para o debate sobre Campesinato, A lógica da Economia Camponesa,
Campesinato é classe, Marx e o Campesinato.

Prefácio

Este livro de Valter Israel da Silva nos chega como um foco de luz nesses tempos turvos, nos quais se voltam a propalar teses que aniquilam a diversidade social e estrutural da realidade agrária brasileira.

Com o duplo, dúbio e poderoso patrocínio de lugares sociais acadêmicos e políticos, essa perspectiva se põe como antevisão de um futuro, e do caminho que a ele leva, em que não há lugar para os camponeses. Seja como gestores de fundamentos técnicos e econômicos essenciais, seja como classe social, nos diversos matizes que marcam a pluralidade territorial brasileira, não haveria papel para esses sujeitos no trajeto de modernização do País. Este estaria traçado unilateralmente pela força do grande capital e as relações latifundiárias que o realiza no rural, sem lugar a apelo.

Em linguagem simples e direta Valter alinhava, com correção, argumentos que oferecem a perspectiva inversa: a de que o futuro do Brasil depende do que se passará com seus 4,5 milhões de estabelecimentos camponeses que abrigam 12 milhões de ocupações, nada menos que 79% do das ocupações rurais em 2006.

O Brasil será um país mais igualitário, no sentido da qualidade de vida das grandes massas, no campo e na cidade, e do seu acesso aos bens públicos, na razão direta do sucesso dos camponeses, como classe em si (que se construa como classe parasi), em ampliar e for talecer, econômica e politicamente, sua presença na sociedade. Por outra parte, Valter se alinha à noção de que o desenvolvimento do país como um todo será mais consistente em perspectiva econômica se os camponeses tiverem acesso crescente a bens materiais e culturais, em troca de uma produção diversificada e saudável. Como tem se demonstrado em situações históricas relevantes, isso não só atua reformulando os fundamentos do mercado interno como alteram as condições mediante as quais as populações rurais se relacionam com os sistemas urbanos, criando sinergismos que tornam o todo mais eficiente.

O país será mais sustentável, em sentido restrito, que envolve a capacidade reprodutiva das gerações presentes, e em sentido amplo, que abarca as gerações futuras segurança alimentar no presente e no futuro que, por isso, considera de forma primordial a natureza), se os camponeses elevarem o porte e a qualidade de sua acumulação – não só de capital físico, mas, sobretudo, de conhecimento, saber técnico e gerencial, formal e alternativo. Sobre isso, uma ¿síntese poderia ser formulada, considerando o todo da argumentação: do domínio do conhecimento formal (codificado e laboratorial) pela cultura camponesa, que tem entranhados conhecimentos tácitos (práticos) voltados para a gestão e adequação da diversidade de recursos dos territórios e orientados à eficiência reprodutiva das famílias, resultarão inovações que fortalecem práticas produtivas condizentes com o sentido mais substantivo da sustentabilidade: eficiência produtiva, equidade social e prudência ecológica.

Dos argumentos trazidos por Valter se depreende, isto posto, que o país poderá ter num campesinato amplo e forte, base para uma reforma social de grande alcance, que venha alterar, enfim, o conteúdo das instituições do Estado no sentido de que abrigue as exigências de um novo tipo de desenvolvimento – sustentável e inclusivo, como se repete em tempos recentes.

Assim sendo, uma inferência do trabalho será a de que a questão agrária continua central para a modernização do país e, nesta, os camponeses, em seu conjunto, continuam, e deverão se constituir cada vez mais, sujeitos centrais para o que virá nas próximas décadas.


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26 de fevereiro de 2016
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