EXPEDIENTE

A Empresa Radar S/A e a Especulação com Terras no Brasil

ede Social de Justiça e Direitos Humanos
domingo 10 de janeiro de 2016 por LRAN

A pesquisa sobre a Radar Propriedades Agrícolas S/A aborda aspectos relativos às suas características principais, que incluem seus acionistas, seu capital total e os locais de interesse da empresa para realizar seus investimentos. Explicitaremos os impactos causados pela atuação da Radar S/A e de outras empresas que participam de seu negócio, a saber, a especulação com o mercado de terras agrícolas no Brasil.

Introdução

A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos tem realizado publicações anuais que revelam as tendências, os dados e os impactos da expansão do agronegócio no Brasil, assim como a relação desta expansão com o contexto internacional. Nossas análises incluem especial preocupação com os impactos econômicos, sociais e ambientais dos monocultivos de commodities e da produção de agrocombustíveis em um contexto de predominância do capital financeiro na agricultura e de crise econômica mundial. A expansão territorial do agronegócio e do capital financeiro no campo intensificam a exploração do trabalho e a violência contra as organizações indígenas, quilombolas e camponesas.

Principalmente a partir da crise econômica mundial iniciada em 2008, o controle sobre a terra, os recursos genéticos e energéticos são centrais nas disputas geopolíticas. O discurso que promove o agronegócio como “produtivo” esconde o risco que este modo de produção representa para a produção de alimentos, já que está baseado na necessidade de utilização intensiva de insumos químicos, que gera degradação dos solos e das fontes de água. A expansão do agronegócio no Brasil gera queda na produtividade agrícola, o que faz com que o preço dos alimentos para a população em geral siga um processo inflacionário, além de rejudicar políticas de reforma agrária e de agroecologia. A expansão territorial e monocultivos de commodities intensifica a repressão e a expropriação da terra e das lavouras alimentares dos pequenos produtores e de povos indígenas.

A especulação com o mercado de terras exerce o papel de facilitar a circulação do capital financeiro em um contexto de instabilidade econômica. A produção de agrocombustíveis serve para justificar o aumento da concentração fundiária sob o argumento da necessidade da produção de energia barata e da concessão de vantagens comerciais para o agronegócio brasileiro. Por sua vez, a intensificação do uso de insumos químicos na agricultura coloca o Brasil como depósito” de produtos tóxicos em um momento no qual se observa uma rejeição crescente, por parte da opinião pública, ao consumo de alimentos contaminados na Europa e Estados Unidos.

Um dos elementos essenciais na disputa geopolítica por recursos genéticos é o controle sobre sementes. Grandes empresas de sementes transgênicas exercem forte lobby internacional para facilitar sua comercialização, o que representa enorme ameaça para a diversidade alimentar. As sementes nativas possuem a capacidade de reprodução natural, que pode ser comparada ao mito da Fênix porque “renascem” no processo produtivo. Portanto, a preservação da diversida
de genética através das sementes se constitui em importante campo de resistência contra o monopólio de grandes empresas na agricultura.

Além disso, o agronegócio consome bilhões em recursos públicos e créditos subsidiados que acabam por se transformar em dívidas impagáveis. Dados o ficiais revelam que as políticas agrícolas do Estado brasileiro priorizam o apoio à expansão de monocultivos. O Estado disponibiliza linhas de crédito subsidiadas para o agronegócio através da negociação de Títulos do Tesouro Nacional no sistema financeiro. Segundo o Plano Agrícola e Pecuário de 2015/2016, no decorrer da última década os valores destinados ao agronegócio por meio do mecanismo de crédito rural mais do que sextuplicou, saltando de R$27 bilhões em 2003/2004 para R$187,7 bilhões na safra de 2015/2016.

As empresas do agronegócio se utilizam ainda de acesso a créditos para especular no mercado financeiro. Um exemplo ocorreu com a agroindústria canavieira brasileira que utilizou tais recursos para especular com derivativos cambiais ao longo da primeira década do século 21. Diversas usinas tomaram empréstimos baratos em dólar, aproveitando a valorização do real ao longo daqueles anos.

¿Com a reversão dessa tendência e a valorização do dólar em relação à moeda brasileira, a partir da crise econômica mundial iniciada em 2008, muitas usinas quebraram. O setor somou um prejuízo de mais de $4 bilhões de reais apenasem derivativos cambiais, logo após o início da crise. As empresas deixaram de investir, por exemplo, na renovação de canaviais, tratos culturais e adubação, o que mantinha a elevação dos níveis de produtividade. Por essa razão, em janeiro de 2012 o governo brasileiro liberou $4 bilhões de reais para o agronegócio somente para a renovação dos canaviais.

A crise econômica mundial gerou uma mudança no perfil do agronegócio no Brasil e estimulou a presença de empresas estrangeiras de diferentes setores, não só agrícolas, mas também financeiras, automotivas e petroleiras. Este processo correu principalmente através de fusões e aquisições, causando maior concentração de capitais. As empresas optam por tal procedimento com a intenção de aumentar eu capital e demais ativos, como máquinas, terra, subsidiárias, entre outros. Assim, o preço de suas ações, compostos por tais ativos financeiros, passa a ser parte fundamental do valor de mercado das empresas e torna-se parâmetro para que consigam crédito. O acesso a crédito e a novos instrumentos financeiros gerou maior capacidade de endividamento do setor, permitindo uma transformação tecnológica que aprofundou a diferença entre montantes de capitais investidos e imobilizados em relação à força de trabalho a ser explorada.

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