O capital financeiro e a especulação com terras no Brasil

FÁBIO TEIXEIRA PITTA, MARIA LUISA ROCHA FERREIRA DE MENDONÇA
domingo 17 de agosto de 2014 por LRAN

O artigo elabora uma análise crítica do processo de reprodução da
industrialização da agricultura a partir da crise de acumulação capitalista. Capitais
financeiros internacionais de empréstimo fomentaram a internalização da produção
de insumos industriais agrícolas no Brasil, em um período que coincide com a crise
da dívida externa brasileira na década de 1980. A partir da metade da década de
1990, a retomada dos financiamentos para a rolagem de dívidas promoveu um
novo ciclo de industrialização da agricultura. Essa tendência se acentuou nos anos
posteriores durante o período de alta dos preços das commodities no mercado
internacional e fomentou o aumento da concentração de ativos financeiros na
forma de maquinário e terras, gerando um novo ciclo de endividamento para o
agronegócio na atualidade. Este processo de crise-acumulação é marcado pela
superexploração do trabalho e pelo controle predatório de recursos naturais.

A crise econômica mundial que se tornou aparente em 2008 intensificou o papel do capital financeiro no mercado de terras agrícolas no Brasil. A especulação com o mercado de terras tem a função de facilitar a circulação do capital financeiro em um contexto de instabilidade econômica em nível internacional. Essa tendência é estimulada por fundos de investimentos em busca de rendimentos para seus credores e por sistemas de crédito.

O Estado brasileiro se endivida para disponibilizar linhas de crédito subsidiadas para o agronegócio através da negociação de Títulos do Tesouro Nacional no sistema financeiro. Segundo o Plano Agrícola e Pecuário de 2013/20143, no decorrer da última década os montantes destinados ao agronegócio por meio do mecanismo de crédito rural mais do que quintuplicaram, saltando de R$27 bilhões em 2003/2004 para R$136 bilhões na safra de 2013/2014.

As empresas do agronegócio se utilizam de acesso a créditos para especular no mercado financeiro. Um exemplo recente ocorreu com a agroindústria
canavieira que utilizou tais recursos para especular com derivativos cambiais. Diversas usinas de açúcar e etanol tomaram empréstimos baratos em
dólar, aproveitando o ciclo de alta nos preços das commodities e a valorização do real nos anos anteriores à crise de 2008. Com a reversão dessa
tendência e a valorização do dólar em relação à moeda brasileira, muitas usinas quebraram. O setor somou um prejuízo de mais de $4 bilhões de
reais nos negócios com câmbio em 2011(Pitta, 2013).


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17 de agosto de 2014
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