Solo fértil do Sudão atrai investimentos brasileiros

Renata Ryff Moreira | Agadi (Sudão)
segunda-feira 10 de janeiro de 2011 por LRAN

Se depender da tecnologia e conhecimento que Brasil está exportando, cenário sudanês pode mudar em poucos anos

O solo fértil do maior país africano está atraindo novos investidores. Se depender da tecnologia e conhecimento que os brasileiros estão exportando, o cenário sudanês pode mudar em poucos anos.

A história do Sudão se confunde com a história do algodão. A cultura começou no país no século XIX e as lavouras ganharam mais visibilidade a partir de 1925. Mesmo com tanta tradição, os sudaneses acabaram deixando de investir em tecnologia e ficaram para trás em termos de produtividade e qualidade da fibra. A produtividade média do algodão no país africano está em torno de mil quilos por hectare, considerada muito baixa para os padrões mundiais. Mas a parceria com o Brasil pode mudar o cenário.

– O algodão plantado nessa região bem manejado em sistema de produção, o Sudão tem uma capacidade tremenda de produzir algodão – diz o consultor Jonas Guerra.

Prova disso foram os resultados da primeira colheita realizada pelo produtor Gilson Pinesso na cidade de Agadi. Em 400 hectares, ele conseguiu uma média de produtividade de quatro mil quilos. Semelhante às médias alcançadas no Brasil. Pinesso é o primeiro produtor a plantar em terras sudanesas. Ele destaca a riqueza do solo e compara o país africano com cerrado brasileiro na década de 1970.

– Aqui não precisa usar calcário. É rico em fósforo em potássio e produzem sem fertilizantes. O Sudão foi uma grata surpresa. Quando se falava em África eu não tinha a dimensão. Na verdade, o Sudão conta com as terras tão boas como as da Ucrânia, mas com um clima tropical como o nosso no Brasil. Imagina solos bons, clima tropical, largas extensões de terras, topografia plana. É tudo que nós precisamos para produzir e produzir bastante. Produzir muito e com qualidade – avalia Pinesso.

Jonas Guerra é consultor e um dos responsáveis pela primeira lavoura brasileira de algodão no país africano. Ele acredita que o Sudão tem as características necessárias para deixar de lado as pequenas lavouras de subsistência e partir para uma agricultura em grande escala.

– São ricas áreas, com fertilidade natural fantástica. Nós temos água disponível do Rio Nilo. Nós estamos numa região que é cortada pelos dois Nilos, Azul e Branco. Se em alguma região é pouca podemos lançar mão de irrigação, onde já existe praticamente mais de um milhão de áreas irrigadas. Eu diria não só o algodão, não só o solo, mas nas condições de clima, a topografia, um bom manejo. Nós podemos desenvolver a cultura do milho, do sorgo, feijão, soja. São áreas com grandes possibilidades de entrar esta tecnologia para que melhore a produtividade – conta Guerra.

De acordo com o governo sudanês, essa melhoria vai trazer benefícios para a população que sofre com a falta de alimentos. Cláudia Silveira é engenheira agrônoma e deixou a família no Brasil para uma missão que ela considera muito mais que profissional. E se emociona quando fala sobre a possibilidade de ajudar a combater a fome de milhares de sudaneses.

– A gente aprendeu que a dificuldade que tem no Brasil é pequena. A situação que eles vivem aqui e estão sempre alegres. Com certeza vai ser uma realização. Sem palavras – diz Cláudia.


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