Inovações Tecnológicas Na Produção De Agrocombustíveis

Base Do Império Das Fontes De Energia Renovável
segunda-feira 10 de agosto de 2009 por LRAN

Horacio Martins de Carvalho

julho de 2009. Curitiba, Brasil

Preâmbulo

A oferta de etanol de primeira geração a partir da cana de açúcar se consolida e se torna o mais importante meio de expansão mundial dos interesses das grandes empresas transnacionais para o controle das fontes de energia renovável a partir da biomassa.

Esse domínio do etanol como complemento aos combustíveis líquidos derivados do petróleo se afirma em consonância com a constituição do Império das Fontes de Energia Renovável
O conceito de energia renovável está diretamente relacionado com o de recursos naturais renováveis. Este conceito é aqui utilizado no sentido de compreender, no âmbito da ecobiodiversidade, as florestas amplo senso (cobertura vegetal e sua interação), os animais, os microrganismos vegetais e animais, os solos, as águas doces (superficiais e subterrâneas), a água do mar e o ar atmosférico. Um ecossistema é renovável sempre e quando apresente resiliência no sentido de ser capaz, dadas determinadas condições, de retornar às condições anteriores devido a uma perturbação., no âmbito do qual o Brasil passa a ter papel fundamental como plataforma de geração e incorporação de inovações tecnológicas e da promoção internacional da oferta desse produto.

As inovações tecnológicas tanto no nível da oferta de matéria prima como na produção industrial do etanol têm sido resultado da associação entre a privatização da ciência e da tecnologia por grandes empresas transnacionais com as iniciativas e apoios governamentais e das agências multilaterais, propiciando assim, através do patenteamento tecnológico, a concentração e centralização econômica financeira mundial da oferta do etanol (e seus usos múltiplos), assim como a desconstrução de diversos "mundos", desde aquele do camponês até o dos mercados de commodities, subordinando aos interesses corporativos privados territórios, populações, bens comuns, a natureza, a biodiversidade e, mesmo, amplas parcelas da sociedade civil.

A resistência social a essas iniciativas anti-sociais e anti-ecológicas se multiplica das mais distintas formas, apesar da envergadura e da violência das ações diretas e indiretas dos impérios setoriais que controlam as fontes renováveis e não renováveis de energia no planeta.

As redes mais variadas que articulam as incomensuráveis iniciativas populares locais, regionais, nacionais e supranacionais para garantirem um balanço energético social e ecologicamente mais harmônicos e mais duradouros ensejam que o modo de produzir a energia de fontes renováveis seja coerente com os princípios e formas de realização ecológica e seja socialmente democrático, descentralizado e participativo. No entanto, as grandes empresas transnacionais do Império das Fontes de Energia Renovável, além de se apropriarem das idéias que nasceram na sociedade civil, implantam um modo de produzir a energia de fontes renováveis que é incompatível com a reprodução da vida social e ecologicamente desejáveis.


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10 de agosto de 2009
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