NOTA À IMPRENSA

Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante

quarta-feira 24 de outubro de 2007 por LRAN

Ontem (21), por volta das 13h30, o acampamento da Via Campesina, no campo
de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (PR),
foi atacado por uma milícia armada. No massacre o militante do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir
Mota de Oliveira, 42 anos (conhecido como Keno), foi
executado à queima roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil
Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento
de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.

Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os seguintes
esclarecimentos:

1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por
cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de
artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos
seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os
agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local.
As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.

2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e
uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados
desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento.
Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no
peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento
de Souza, que continua hospitalizada em estado grave.

3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar
as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos
trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida
Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram
escapar durante o ataque.

4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da
empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da
Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao
agronegócio.

5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi
reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para
a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal
dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive
Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses,
pelas milícias que estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um
inquérito havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a
NF Segurança.

6.* A Rede Globo vem sustentando em suas reportagens que a Via Campesina
teria mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e de
outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os
movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da
Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos. A Via
Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a
ocupação.

7. A Via Campesina exige punição dos responsáveis pelos crimes -
principalmente os mandantes -, a desarticulação da milícia armada na região
e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da garantia de
segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os
trabalhadores da Via Campesina, na região.

8. Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de
transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de
reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma
Agrária.

Histórico - O campo de experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos
camponeses em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes
transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional
conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de
julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um
local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do
Oeste (PR).

Web do MST


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